A KTM entra oficialmente em uma nova fase com a mudança de nome de sua empresa controladora. A Pierer Mobility AG agora se chama Bajaj Mobility AG, consolidando o controle majoritário da fabricante indiana Bajaj Auto sobre a tradicional marca austríaca de motocicletas. A transição marca o ápice de um processo de reestruturação iniciado após graves dificuldades financeiras enfrentadas pela KTM.
KTM sob novo comando: De Pierer Mobility a Bajaj Mobility
A alteração no nome da holding controladora não chegou como surpresa para o mercado. Em novembro passado, a Bajaj Auto confirmou a aquisição da participação majoritária da KTM, sinalizando uma mudança significativa na gestão da fabricante europeia. A Bajaj, gigante indiana do setor de duas rodas, já mantinha relação próxima com a KTM há anos, sendo parceira de produção de diversos modelos de baixa cilindrada.
A mudança representa mais que uma simples alteração de nomenclatura corporativa. Simboliza a passagem definitiva do controle da tradicional marca austríaca para as mãos do conglomerado indiano, em um movimento que pode redefinir os rumos da empresa no mercado global de motocicletas.
Reestruturação e cortes: Os efeitos da crise financeira
O processo de reestruturação começou no final de 2024, quando a KTM enfrentou severos problemas financeiros que quase levaram à falência da empresa. Como consequência imediata, a companhia reduziu seu quadro de funcionários em aproximadamente 500 pessoas. De acordo com dados oficiais, a KTM AG contava com 3.794 colaboradores em 31 de dezembro de 2025.
O CEO da KTM, Gottfried Neumeister, justificou os cortes como “uma decisão difícil, mas necessária para diminuir nossos custos, emagrecer as estruturas e colocar a empresa numa base estável a longo prazo”. Segundo ele, o objetivo central é:
- Reduzir a complexidade em todas as áreas operacionais.
- Simplificar a linha de modelos.
- Modernizar os sistemas de TI.
- Eliminar um nível de gestão.
Foco nas marcas principais e abandono de projetos secundários
A nova estratégia da KTM sob comando da Bajaj concentra esforços nas três principais marcas de motocicletas do grupo: KTM, GasGas e Husqvarna. Para viabilizar esse direcionamento, diversos projetos paralelos foram descontinuados ou vendidos durante o processo de reestruturação.
Entre os ativos desvinculados estão:
- A marca de bicicletas Felt, vendida a um consórcio em novembro de 2025.
- O projeto automobilístico X-Bow, que nunca alcançou o interesse comercial esperado pela empresa.
- Parceria com a italiana MV Agusta, encerrada.
- Distribuição europeia da marca chinesa CFMoto descontinuada.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Para o mercado brasileiro, a mudança de controle da KTM para a Bajaj pode trazer implicações significativas nos próximos anos. A Bajaj tem forte experiência em mercados emergentes e produção de motocicletas de baixa e média cilindrada com bom custo-benefício, o que pode resultar em uma estratégia mais agressiva de preços e novas opções de modelos para o Brasil.
Com o foco renovado nas três marcas principais, consumidores brasileiros possivelmente terão acesso a uma linha de produtos mais enxuta, porém com maior direcionamento às necessidades específicas do mercado local. Resta saber como a reestruturação global afetará a rede de concessionárias e o suporte pós-venda no país.

