KTM testa motor 850cc enquanto futuro na MotoGP é questionado
Segundo múltiplas fontes, a KTM conduziu recentemente um teste privado em Jerez com Pol Espargaró pilotando um protótipo equipado com o novo motor de 850cc. Este desenvolvimento visa atender às novas regulamentações técnicas que entrarão em vigor na MotoGP a partir da temporada 2027, quando a categoria reduzirá o limite de cilindrada dos atuais 1000cc para 850cc.
O teste representa a maior revolução técnica da categoria em décadas, com mudanças significativas nas especificações das motos. Contudo, este movimento da KTM gera questionamentos importantes, já que relatórios anteriores indicavam que a marca poderia deixar a competição após 2026, devido à sua complicada situação financeira.
A realização destes testes sugere duas possibilidades:
- A KTM realmente pretende continuar na MotoGP sob a gestão da Bajaj.
- Está desenvolvendo tecnologia que poderá ser vendida ou transferida caso abandone a categoria.
Crise financeira e reestruturação da KTM
Os problemas que colocam em dúvida a permanência da KTM no grid vão além das pistas. A fabricante austríaca enfrentou sérias dificuldades financeiras nos últimos anos, chegando a entrar em processo de insolvência. Este cenário levou à venda da empresa para a Bajaj, gigante indiana do setor de duas rodas com capital suficiente para assumir as operações.
Como parte da reestruturação financeira, a KTM tem se desfeito de diversos ativos. Um exemplo claro foi a venda da MV Agusta de volta aos seus proprietários originais, menos de um ano após sua aquisição. Além disso, a marca também vendeu recentemente sua divisão de bicicletas Felt Bicycles, demonstrando um movimento claro de enxugamento de operações e foco em áreas mais lucrativas.
Outra evidência da crise é a saída da fabricante de várias categorias de competição off-road através de suas marcas subsidiárias como GasGas e Husqvarna – justamente o segmento onde a KTM construiu sua reputação antes de ingressar na MotoGP.
Bajaj no controle: silêncio sobre o futuro no MotoGP
A Bajaj, nova controladora da KTM, tem se mantido discreta sobre os planos futuros para a marca no MotoGP. Quando questionada diretamente se a equipe continuaria na categoria após 2026, a empresa indiana declinou de fazer qualquer declaração oficial.
De acordo com gestores envolvidos nos processos de insolvência da KTM, havia indicações claras de que a marca não continuaria na MotoGP após 2026. Esta informação, combinada com o silêncio da Bajaj, alimenta as especulações sobre a saída da fabricante austríaca.
Programas de competição de alto nível como o MotoGP demandam investimentos massivos em desenvolvimento, equipe técnica e logística. A pergunta que permanece é se a Bajaj vê valor estratégico em manter a KTM na elite do motociclismo mundial, considerando os custos envolvidos e a necessidade de reestruturação financeira da marca.
Tech3 e o futuro das vagas no grid
O cenário se complica ainda mais com a recente aquisição da equipe Tech3 por Günther Steiner, ex-chefe de equipe da Haas na Fórmula 1. A Tech3 atualmente opera como equipe satélite da KTM, mas esta relação pode mudar completamente sob nova administração.
Rumores no paddock indicam que as próprias vagas da KTM no grid da MotoGP estão à venda, o que poderia abrir espaço para o retorno de fabricantes como Suzuki e BMW à categoria. A popularidade e a visibilidade de Steiner, ampliadas pela série Drive to Survive da Netflix, poderiam facilitar essa transição.
A Dorna Sports, detentora dos direitos comerciais do MotoGP, tem interesse em manter um grid diversificado com múltiplas fabricantes. Se a KTM realmente decidir sair, suas vagas seriam extremamente valiosas para marcas que desejam ingressar ou retornar à competição.
Os próximos meses serão decisivos para definir o futuro da KTM na categoria rainha do motociclismo. Enquanto isso, os fãs da marca austríaca observam com apreensão os desdobramentos dessa história que mistura esporte, negócios e a sobrevivência de uma tradicional fabricante europeia em tempos de consolidação do mercado global de motocicletas.

