A Indian Motorcycle e a Harley-Davidson travam o que, provavelmente, é a rivalidade mais duradoura no mundo das motocicletas. E recentemente o novo CEO da Indian, Mike Kennedy, apontou para um caminho interessante. Diferente da Harley, sua marca não está interessada no mercado de motos de entrada.
Vale lembrar que, nos últimos anos, a H-D apresentou diversos projetos de ‘baixa’ cilindrada no exterior. Alguns chegaram ao mercado internacional, como a X440, desenvolvida em parceria com a indiana Hero. Entretanto, Mike deixou claro que não pretende mudar o rumo de sua atuação no mercado global.
Em coletiva recente, o novo CEO afirmou que a fabricante americana não lançará motocicletas de entrada e também descartou qualquer plano para o desenvolvimento de modelos elétricos – outro campo ao qual a Harley está se dedicando, reforçando uma estratégia focada em nichos específicos do segmento premium.
Segundo a revista RideApart, Kennedy explicou que a decisão está diretamente ligada ao desempenho da marca em um cenário desafiador para a indústria. De acordo com o executivo, o mercado americano de motocicletas de estrada recuou 6,5% em 2025, enquanto a Indian seguiu na contramão, ampliando sua participação de mercado, especialmente nos segmentos touring e cruiser.
“Quando analiso o mercado, não é correto afirmar que apenas as motos de US$ 6.000 são as que vendem. Isso simplesmente não é verdade”, afirmou Kennedy durante a coletiva. O CEO destacou ainda que a Indian já possui um modelo abaixo da faixa dos US$ 10 mil, valor que, segundo ele, pode ser considerado acessível dentro do posicionamento da marca.
Nova fase estratégica
As declarações marcam uma nova fase da Indian Motorcycle após a separação do grupo Polaris. A fabricante passou a ter suas ações majoritárias controladas pela Carolwood LP, grupo de private equity com sede nos Estados Unidos. Mike Kennedy, que assumiu o comando da empresa, traz no currículo passagens por Harley-Davidson, Vance & Hines e pela rede de concessionárias RumbleOn.
Sob a nova gestão, a Indian pretende manter um foco bem definido, concentrando seus esforços nos segmentos de cruisers, baggers e motocicletas touring, reforçando sua identidade clássica e premium. A estratégia contrasta com a adotada por sua principal concorrente, a Harley-Davidson, que já anunciou planos de ampliar sua linha com motocicletas de entrada, incluindo a promessa de um modelo 0 km com preço de até US$ 6.000.

