Os consórcios de motocicletas fecharam os quatro primeiros meses de 2026 com 505,15 mil novas adesões, alta de 7,3% em relação ao mesmo período de 2025 e responderam por até 30,1% das vendas nacionais de motos no período, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Na prática, uma em cada três motocicletas comercializadas no país teve potencial origem em créditos liberados pelo sistema.
Consórcio de motos supera 500 mil adesões em quatro meses
Só no primeiro trimestre, o segmento registrou 382,88 mil adesões, crescimento de 7,2% na comparação anual. Os créditos comercializados somaram R$ 8,12 bilhões entre janeiro e março, alta de 11,5%, com 3,26 milhões de participantes ativos no sistema. Abril manteve o ritmo: no acumulado de janeiro a abril, o volume de créditos chegou a R$ 10,75 bilhões e os créditos disponibilizados aos contemplados totalizaram R$ 5,01 bilhões, crescimento de 5,5% na comparação anual.
O desempenho acompanha o aquecimento geral do setor de consórcios no Brasil. No primeiro trimestre, foram comercializadas 1,38 milhão de cotas em todas as modalidades, crescimento de 12,2%, movimentando R$ 129,16 bilhões em créditos, 22,6% a mais que no mesmo período de 2025. O número de consorciados ativos no país chegou a 12,93 milhões, novo recorde para a modalidade.
Para Guilherme Lamounier, head de negócios da Multimarcas Consórcios, o cenário de juros elevados é um dos principais motores desse crescimento.
“O consórcio vem ganhando espaço porque o consumidor está cada vez mais focado em planejamento financeiro e em alternativas mais sustentáveis para aquisição de bens. Em um ambiente de juros elevados, a modalidade se fortalece justamente por permitir uma compra programada, sem juros e com maior previsibilidade”
Uma em cada três motos vendidas tem relação com o consórcio
As 235,66 mil contemplações registradas entre janeiro e abril de 2026 representam, potencialmente, 30,1% de todas as motos comercializadas no país no período. O dado reforça a consolidação do consórcio como uma das principais rotas de acesso ao mercado de duas rodas, não mais uma alternativa marginal ao financiamento tradicional.
A demanda por motocicletas segue aquecida no Brasil, impulsionada pela busca por mobilidade urbana, menor custo com combustível e, sobretudo, pelas oportunidades de geração de renda via aplicativos de entrega e transporte. Esse perfil de comprador, que adquire a moto como ferramenta de trabalho e precisa de uma modalidade de crédito previsível, encontra no consórcio uma proposta direta: sem juros, com parcelas fixas e prazo definido.
Bahia lidera o ranking e montadoras ampliam parcerias com administradoras
No recorte geográfico, a Bahia lidera o ranking nacional de adesões ao consórcio de motocicletas. Na sequência aparecem Pará, Minas Gerais, São Paulo e Maranhão. A presença de estados do Norte e do Nordeste entre os cinco primeiros reflete o papel da moto como principal meio de transporte e trabalho nessas regiões.
Diante do crescimento da modalidade, as fabricantes têm ampliado suas parcerias com administradoras de consórcios para oferecer novas opções de compra e fortalecer a distribuição em diferentes mercados regionais. Com mais de R$ 10,75 bilhões movimentados no segmento de motocicletas apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o consórcio consolida sua posição como um dos pilares do mercado nacional de duas rodas.

