A Ducati Corse confirmou oficialmente a renovação do contrato de Marc Márquez por mais duas temporadas. O espanhol permanecerá no Ducati Lenovo Team até o fim de 2028, consolidando a parceria que já rendeu um título mundial e posicionando Borgo Panigale de forma ainda mais sólida na MotoGP.
O acordo que desbloqueia o mercado de pilotos
O timing do anúncio não é casual. A renovação de Márquez é a primeira grande movimentação oficial da categoria desde a assinatura do novo Pacto Concorde até 2031, acordo firmado entre os cinco fabricantes e a Dorna que, enquanto estava em negociação, travou completamente o fluxo de renovações e contratações no paddock.
Com o maior nome do grid blindado na casa vermelha, a expectativa é de que o mercado de pilotos entre em ebulição nas próximas semanas. Equipes e fabricantes que aguardavam a definição de Márquez para montar seus planos agora têm um ponto de partida claro, e uma lacuna considerável para tentar preencher.
A trajetória que justifica a confiança da Ducati
O caminho até este contrato passou por uma aposta de alto risco. Após encerrar uma parceria de dez anos com a Repsol Honda, Márquez chegou à Ducati pela porta dos fundos, via Gresini Racing em 2024, com o objetivo de provar que ainda era capaz de vencer com a Desmosedici. A resposta veio em 2025: nono título mundial, o sétimo na MotoGP, com 11 vitórias em Grandes Prêmios, 14 triunfos em Corridas Sprint e o campeonato garantido com cinco etapas de antecedência.
A temporada de 2026 voltou a testar sua resiliência. Um acidente no início do ano revelou que um parafuso de uma cirurgia anterior havia se deslocado e estava pressionando um nervo. Ele passou novamente pela sala de cirurgia, perdeu o GP da Catalunha e retornou em Mugello. Semanas depois, em Balaton, registrou sua centésima vitória no Mundial. Em Brno, somou mais um resultado expressivo para se colocar a apenas 40 pontos da liderança do campeonato.
O que dizem os protagonistas do acordo
Nas declarações que acompanham o anúncio, os dois lados deixam claro que a relação vai além de números no contrato.
“Sono rosso! Estou muito feliz de renovar com o Ducati Lenovo Team e de seguir fazendo parte desta família. Quando decidi vir para cá, fiz convicto de que era o projeto mais competitivo. Eles apostaram em mim e construímos uma relação baseada na confiança. Sigo correndo porque tenho paixão por este esporte e quero buscar objetivos grandes.”
— Marc Márquez
“Confiança: a relação entre a Ducati e o Marc parte daqui. Nos buscou primeiro, nos escolheu depois e hoje estamos desenhando um futuro juntos, mais vermelho do que nunca. Como engenheiro, trabalhar com o Marc me impressionou. Ele levou a Desmosedici GP ao máximo de suas prestações, exaltando cada componente.”
— Gigi Dall’Igna, Diretor Geral da Ducati Corse
Claudio Domenicali, CEO da Ducati Motor Holding, resumiu o espírito do acordo: “Marc incorpora perfeitamente a nossa mentalidade, composta por grande dedicação e sacrifício, mas também pela harmonia e capacidade de sermos grandes profissionais em um ambiente sereno.”
O que muda para KTM, Aprilia e o restante do grid
Com Márquez contratado até 2028, KTM e Aprilia, fabricantes que vinham crescendo nos últimos anos e que teriam interesse em atraí-lo para reduzir a hegemonia da Ducati, perdem sua maior carta na manga. Para o espanhol, que terá 35 anos ao fim deste novo vínculo, o contrato oferece a estabilidade necessária para perseguir os recordes históricos de títulos de Giacomo Agostini e Valentino Rossi. O futuro do Mundial de Motovelocidade, pelo menos até 2028, já tem endereço: Borgo Panigale.

