Por que a Shineray está sendo investigada? Entenda o caso

Descubra por que a Shineray está sob investigação!

A Shineray do Brasil tornou-se alvo de uma investigação formal no Ministério da Justiça e Segurança Pública após denúncia apresentada pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). O procedimento investigativo, iniciado em novembro de 2025, veio a público apenas em fevereiro de 2026, quando a Abraciclo divulgou um manifesto confirmando a representação contra a fabricante.

O que motivou a investigação contra a Shineray

A Abraciclo, que representa as principais fabricantes de motocicletas no Brasil (incluindo Honda, Yamaha, BMW, Kawasaki, Suzuki, entre outras), formalizou a denúncia com base em alertas recebidos de suas associadas. Segundo a entidade, foram identificadas possíveis irregularidades graves em motocicletas da Shineray.

O procedimento foi instaurado com base no artigo 55, §4º, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), além do Decreto nº 2.181/1997 e da Portaria MJ nº 905/2017. A investigação busca apurar riscos potenciais para consumidores, meio ambiente e concorrência leal no setor.

Embora as suspeitas tenham surgido em novembro de 2025, o caso só se tornou público no início de fevereiro de 2026, quando a Abraciclo confirmou a apresentação da denúncia em suas redes sociais.

As principais irregularidades apontadas pela Abraciclo

Entre as irregularidades apontadas na denúncia, destacam-se a suposta ausência de três componentes essenciais nas motocicletas da Shineray:

  • Catalisador: dispositivo responsável por reduzir significativamente a emissão de gases poluentes. Sua ausência pode representar descumprimento das normas que regulamentam os limites de emissão de poluentes;
  • Cânister: componente que captura os vapores de combustível evitando que sejam liberados na atmosfera, reduzindo a poluição ambiental;
  • Sistema de ventilação do cárter: mecanismo que impede que gases nocivos do motor sejam liberados diretamente no ambiente.

Segundo a Abraciclo, essas supostas irregularidades podem trazer riscos tanto aos consumidores quanto ao meio ambiente e à saúde pública, além de configurar uma possível concorrência desleal no mercado.

O procedimento administrativo e a resposta da Shineray

Com base na denúncia apresentada, a Senacon notificou formalmente a Shineray para que apresente esclarecimentos técnicos específicos sobre:

  • Supostos riscos à saúde e à segurança do consumidor
  • Eventual excesso de emissões de poluentes e ruído
  • Conformidade dos produtos com as normas ambientais e técnicas vigentes
  • Integridade das informações prestadas ao consumidor

Procurada para comentar o caso, a Shineray optou por não se manifestar publicamente neste momento. Em nota oficial, a empresa declarou:

“Informamos que a Shineray opta por não se manifestar sobre os questionamentos. Reforçamos que os produtos da Shineray do Brasil seguem rigorosamente os padrões técnicos, normativos e legais exigidos pelos órgãos competentes, estando plenamente regulares. Esclarecemos que todas as informações oficiais relativas ao portfólio da marca encontram-se publicamente disponíveis e atualizadas no site oficial da montadora.”

É importante ressaltar que, até a conclusão do processo, não há aplicação de penalidades ou determinações definitivas contra a empresa.

Impacto potencial para a terceira marca mais vendida do Brasil

A investigação ocorre em um momento de significativo crescimento da Shineray no mercado brasileiro. Em janeiro de 2026, a marca alcançou 7,24% de participação no mercado nacional, consolidando-se como a terceira maior vendedora de motocicletas no país, atrás apenas de Honda e Yamaha.

Durante 2025, a fabricante chinesa registrou 130.600 unidades emplacadas, com market share de 5,94%. Só no primeiro mês de 2026, foram 12.920 motocicletas emplacadas. A expansão comercial também é expressiva: a marca inaugurou 275 novas lojas em 2025, encerrando o ano com 438 revendas em operação no país.

O caso agora segue para apuração completa no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que determinará se as acusações procedem e, em caso afirmativo, quais medidas deverão ser tomadas.